Durante anos, o tratamento da colite ulcerosa (CU) e de outras doenças inflamatórias intestinais (DII) concentrou-se no controle dos sintomas. No entanto, um novo objetivo está ganhando força entre os gastroenterologistas: cura histológica – um nível mais profundo de remissão medido pela reversão da inflamação no nível microscópico dentro do cólon. Esta mudança representa um passo além de simplesmente sentir-se melhor para realmente ser melhor a nível celular, e poderá melhorar drasticamente os resultados de saúde a longo prazo para os pacientes com UC.
Compreendendo os níveis de remissão
Tradicionalmente, a remissão na CU tem sido avaliada de três maneiras: clínica, endoscópica e histológica.
- A remissão clínica baseia-se em como o paciente se sente – a ausência de sintomas perturbadores, como dor abdominal ou fadiga. É subjetivo, fácil de rastrear e atualmente é o padrão.
- A remissão endoscópica envolve o uso de colonoscopias para confirmar visualmente a cura no revestimento intestinal. Um paciente pode se sentir melhor (remissão clínica), mas ainda apresentar inflamação subjacente detectável por endoscopia.
- A remissão histológica vai um passo além, examinando biópsias de tecido ao microscópio para determinar se a inflamação foi resolvida no nível celular. Esta é a medição mais recente e potencialmente mais impactante.
Por que a cura mais profunda é importante
Embora o alívio dos sintomas seja vital, a inflamação residual – mesmo na ausência de sintomas visíveis – apresenta riscos a longo prazo. A inflamação crônica pode levar ao crescimento celular anormal, aumentando a probabilidade de displasia (células pré-cancerosas) e, em última análise, câncer de cólon. A Crohn’s & Colitis Foundation recomenda colonoscopias regulares para pacientes com UC, especialmente aqueles com inflamação ativa ou de longa data, para monitorar essas alterações.
Pesquisas emergentes também sugerem que a cura histológica pode reduzir as taxas de recidiva mesmo em pacientes já em remissão endoscópica. Isto significa permanecer sem sintomas por mais tempo e evitar o ciclo de crises e tratamentos.
Novos medicamentos impulsionando o progresso
Avanços recentes na medicação estão tornando a cura histológica cada vez mais viável. Os principais tratamentos incluem:
- Proteínas biológicas: Proteínas desenvolvidas em laboratório que bloqueiam sinais inflamatórios no sistema imunológico.
- Inibidores de JAK: Medicamentos que bloqueiam enzimas que desencadeiam respostas inflamatórias.
- Moduladores S1P: Medicamentos que impedem a entrada de glóbulos brancos inflamatórios no intestino.
Esses tratamentos funcionam no nível celular, o que levou alguns médicos a recomendar começar com produtos biológicos em vez de avançar com os antiinflamatórios tradicionais.
Desafios e perspectivas futuras
Atualmente, a cura histológica ainda não é uma prática padrão, em grande parte devido à necessidade de biópsias e à cobertura limitada do seguro. No entanto, os especialistas prevêem que isto mudará à medida que os benefícios se tornarem mais claros.
“Alcançar o controle dos sintomas é útil, mas ser capaz de reduzir os principais riscos à saúde e ficar fora do hospital é ainda melhor, e é isso que a cura histológica oferece”, explica Rudolph Bedford, MD, gastroenterologista do Providence Saint John’s Health Center.
Em última análise, o futuro do tratamento da UC reside numa mudança de paradigma: da simples gestão dos sintomas até à obtenção de uma cura verdadeira e duradoura ao nível microscópico.
A cura histológica representa um passo fundamental no tratamento da UC, reduzindo potencialmente os riscos a longo prazo e melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas. O foco é ir além de apenas sentir-se melhor para realmente ser melhor a nível celular.
