A armadilha do compromisso

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Imagine saber a data exata da sua próxima consulta médica. Não há uma vaga sensação de que o acesso exista. Um dia específico. A maneira como você se lembra da limpeza dos dentes ou da renovação do seguro do carro.

Esse detalhe muda tudo.

É uma questão de continuidade. Quando essa data está no calendário, alguém é o dono dos seus cuidados. Eles estão esperando por você. Eles vão notar se você fantasma. Sem data significa que ninguém está assistindo. Você é invisível até entrar em colapso.

A responsabilidade não é uma métrica. É um relacionamento.

As atuais métricas de qualidade são ciclos autocongratulatórios. Os hospitais se medem. Eles avaliam seus próprios trabalhos de casa. Mas saber a sua próxima consulta é um fato detido pelo paciente. Você sabe ou não. Não há planilha que esconda a verdade. A fonte da verdade reside no seu telefone. Ou não.

Mais de 100 milhões de americanos caem nessa fenda. Muitos têm pressão alta ou diabetes dos quais desconhecem. Eles não são ignorados; eles estão perdidos no barulho. Especialistas em saúde pública os chamam de pessoas à vista de todos. Vejo pacientes com depressão que são apenas parte de uma massa maior e silenciosa.

A doença não detectada cresce. Fica caro. Acontece trágico. Termina às 2 da manhã com um médico do pronto-socorro que nunca conheceu você.

Meu setor deveria odiar essa lacuna. Devemos consertar isso primeiro.

Os planos de saúde veem exatamente quem ficou meses sem atendimento. Nós temos os dados. No entanto, quase ninguém estabelece uma regra rígida: cada membro sem casa tem uma marcação marcada. Em vez disso, perseguimos as vitórias fáceis. Os pacientes que respondem às mensagens. Aqueles cujas pontuações impulsionam nossas métricas. As pessoas mais difíceis de alcançar ficam escondidas porque o trabalho é desconfortável.

Eu sou culpado. Todos nós somos.

Construímos roteiros de transformação sofisticados enquanto ignoramos uma solução brutalmente simples. Se cada pessoa soubesse quando consultar o seu médico, evitaríamos mais sofrimento do que todas as brilhantes ferramentas digitais combinadas.

As desculpas são padrão.

  • Fornecimento: Não há médicos suficientes. Os tempos de espera são ruins. Verdadeiro. Os EUA enfrentam uma enorme escassez de cuidados primários. Mas a escassez não justifica a invisibilidade. Você gerencia uma fila curta sabendo quem está esperando.
  • Custo: Mais visitas significam contas mais altas. Isto interpreta mal a economia da saúde. A visita ao escritório de US$ 15 é barata. O acidente vascular cerebral evitável não é. A amputação por diabetes não controlada, não. Manter as pessoas afastadas não economiza dinheiro. Só atrasa a conta até a chegada da UTI.
  • Acesso: Esses pacientes são muito difíceis de alcançar. Correto. Esse é o ponto.

Se você agendar apenas os pacientes fáceis, aumentará a lacuna. Um objetivo universal força a visibilidade das pessoas desaparecidas. Eles desaparecem nas médias e nos modelos de atribuição. Faça com que “saiba sua data” seja um requisito básico e essas pessoas desaparecidas se tornarão impossíveis de ignorar.

Você não pode consertar o que não conta.

Quem é o dono dessa bagunça?

Todos e ninguém. Os planos acham que os provedores devem cuidar dos relacionamentos. Os provedores acham que as seguradoras devem se coordenar. Os empregadores presumem que está resolvido. O governo acha que o mercado funciona. Cada parte tem uma desculpa perfeitamente racional para deixar a outra liderar.

Esta difusão é a razão pela qual milhões de pessoas não têm porta de entrada.

Não é uma falha tecnológica. Temos os dados espalhados por silos que fingem não compartilhar um paciente. O que falta é uma decisão coletiva. A crença de que vale a pena construir um sistema onde ninguém é invisível.

Se não conseguirmos gerir uma simples entrada no calendário, nenhuma quantidade de IA ou reforma de pagamento terá importância. Apenas mediremos nossa incompetência com maior precisão.

Às vezes o progresso é silencioso.

Às vezes é apenas uma promessa. Que ninguém se torne invisível.